INSIGHTS E PESQUISAS

Geração Z e Millenials: o que muda?

Bruna Tokunaga e Julia Santos

Recentemente a internet foi inundada de histórias referentes ao desconhecimento dos Millennials frente às novas tendências da Geração Z: tudo era “cringe”, isto é, fora de moda e desatualizado das tendências dos jovens. Enquanto nas últimas décadas a geração Y, conhecida como Millennials, foi alvo de extensas pesquisas sobre seus comportamentos, valores, crenças e preferências, um novo grupo surgiu e tem ganhado recente destaque: a Geração Z, que tem sido o foco dos novos estudos, visando compreender suas características. Nascidos entre 2000 e 2012, aproximadamente, os “gen Z” são estereotipados como dependentes das redes sociais, desengajados e questionadores, mas a realidade é que suas crenças e valores tem transformado modelos de negócios e culturas de empresas, que buscam atrair, cada vez mais, essa geração tanto como consumidores quanto colaboradores. Dessa maneira, conscientizar-se do perfil desses jovens e não rotular essa geração apenas pelos seus estereótipos será de suma importância para as organizações.

Já para as famílias empresárias, cuja convivência entre diferentes gerações nos negócios é mais frequente, o principal desafio é entender e reconhecer as características principais desta nova geração – que atualmente compõe 20% da população brasileira e vem ocupando o mercado de trabalho em níveis crescentes – para melhor desenvolver seus talentos e garantir sucesso longevo.

 

CARACTERIZANDO A GERAÇÃO Z

Estudos recentes mostram que essa nova geração de jovens é altamente antenada com os movimentos sociais e buscam atuar profissionalmente em ambientes que condizem com estes valores. De acordo com estudos recentes, 49% da Gen Z diz tomar decisões sobre sua trajetória de carreira de acordo com seus valores, mais do que somente orientados pelo salário, estabilidade ou segurança financeira. Com este cenário em vista, a pesquisa descreve as principais preocupações desta geração: mudanças climáticas, impactos sociais e desigualdades. Estes jovens, desta forma, tendem a responsabilizar não somente indivíduos, mas também as organizações visando uma tomada de decisões efetiva e engajamento com estas questões.

Outras pesquisas descrevem essa geração pela busca por autenticidade, tendendo a ignorar rótulos e buscar uma identidade que represente cada indivíduo em si. Consequentemente, este contexto impacta não somente suas escolhas de consumo, mas também de carreira. Gen “Zers” buscam contribuir com organizações que estão em linha com seus valores de diversidade, preocupação com o meio ambiente e segurança psicológica. Não muito diferente do que já foi constatado com os Millennials, mas a geração Z se diferencia especialmente pela facilidade com tecnologias e digitalização dos processos, por ser a primeira geração a nascer já na presença da internet, computadores, celulares e a constante evolução destes.

 

A GERAÇÃO Z NA FAMÍLIA EMPRESÁRIA

Pensando no sucesso das empresas familiares, Prof. John A. Davis propôs três fatores para famílias empresárias se atentarem para obter um sucesso sustentável: crescimentos dos ativos da família, união da família e da organização e desenvolvimento de talentos familiares e não-familiares. Ao focar nestes três aspectos, famílias empresárias criam solo fértil para a manutenção do sucesso entre as gerações. Para isso, é essencial que o desenvolvimento das novas gerações seja feito de maneira intencional, buscando a integração destas nos valores e na cultura da família. Para os jovens da Gen Z, estudos mostram que uma liderança que oferece oportunidades para se desenvolverem e se afirmaremo âmbito profissional e pessoal ajuda a motivar e engajar estes indivíduos.

Outro aspecto é o compartilhamento intencional dos valores no decorrer do tempo, garantindo que as próximas gerações estejam alinhadas com estas crenças e comportamentos. Entretanto, como foi mencionado, os “gen Z” carregam seus próprios valores e buscam se associar com organizações que se posicionam de acordo com eles; desta forma, é importante que famílias empresárias escutem genuinamente as pré-ocupações das novas gerações e procurem incorporar certos valores, a fim de reter estes talentos e manter a integração e a união em torno do mesmo propósito. O objetivo deve ser criar um senso de pertencimento na família e nos negócios, para engajar os jovens e estimular sua participação.

Assim, como nos conta Prof. John A. Davis em sua carta aberta à geração sênior, no livro “Os Segredos das Famílias Empreendedoras”, é crucial para o desenvolvimento dos jovens que a geração sênior entenda que mudanças são inerentes ao processo de desenvolvimento e que as novas gerações farão muitas coisas diferentes, mas que esse processo é natural e, se o processo de preparação dos jovens for feita de forma intencional, “você está passando seu legado para uma nova geração capaz e competente”(p.28). E para as próximas gerações, Prof. John A. Davis fala da importância de tranquilizar a geração sênior sobre o comprometimento com os valores e a reputação já estabelecida. Dessa forma, mesmo que novos valores sejam incorporados, sempre haverá união em torno de um mesmo propósito, alinhado com aqueles valores que são compartilhados entre os membros da família.

2021-10-28T17:54:32-03:000 Comentários